O gosto das lágrimas
Mais um dia do pré-primário em que eu chorava escondida no recreio, torcendo para ninguém perceber. Eu só queria o direito de sofrer em paz aquela adaptação tão cruel que é descobrir, aos quatro anos, que você vai precisar existir longe da sua mãe. E ninguém percebeu. Quer dizer, ninguém além da professora Célia. Célia usava um perfume que tinha quase o mesmo cheiro das massinhas da escola, só que mais enjoado, misturado com perfume de vó e uma vaga tristeza de domingo. Como sempre tive o...